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Redes sociais

As mentiras e os espantalhos que viralizam nas redes sociais

No campo da linguagem e dos discursos, estamos (re)vivendo um período de certezas e pré-conceitos fortes.

Blog do Zé Carioca

Blog do Zé CariocaZé Carioca é blogueiro do Portalpoty.com

14/08/2019 00h42
Por: Redação
Fonte: Portal Poty

No campo da linguagem e dos discursos, estamos (re)vivendo um período de certezas e pré-conceitos fortes, em que o estado de dúvida do pensamento tem sido cada vez mais soterrado com a avalanche de opiniões e comportamentos inflexíveis, intolerantes e caricatos. É uma necessidade humana de encontrar sempre um porto-seguro que não abale as estruturas da “zona de conforto” desejada ou da ilusão mental construída. A busca pela segurança, ainda que inventada, não tem simpatia pela dúvida inerente à própria condição humana.

O discurso de ódio vem nessa onda da construção da “verdade”, única ou hegemônica, daquele que enuncia o discurso, ao mesmo tempo em que representa um (des)encontro hostil com o “outro” diferente. Essa hostilidade é construída a partir da criação de um antagonista/inimigo que precisa ser desumanizado para ser destruído. Por isso, as mentiras, as notícias falsas (“fake news”) em torno deste precisam existir em função de uma lógica binária que sustenta o maniqueísmo. É o pensamento dicotômico que bifurca posicionamentos que não admitem o meio-termo e o equilíbrio (ou é X ou é Y). Há uma intimidade promíscua, pois, entre o discurso de ódio e as “fake news”.

Dessa maneira, o discurso de ódio tem, portanto, um viés moralista de purificação do “eu/nós” e demonização do “outro/eles”. Numa perspectiva foucaultiana, normatiza-se o que esse “outro” deve expressar, a partir da colonização dos modos de ser e de existir, segundo uma lógica hegemônica que disciplina e molda comportamentos. Não é à toa o apego do discurso de ódio tem à tradição, à pátria, à família e a Deus. O termo “família”, propositalmente, é sempre colocado no singular, no sentido de demarcar um espaço de poder patriarcal que invisibiliza e exclui outras formas de composição familiar, ou seja, “famílias” (no plural). Em outras palavras, o que não pertence ao mundo do “eu/nós” é passível de ser distorcido e destruído.

 

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